quinta-feira, 3 de setembro de 2009

16 livros irresistíveis para iniciar os seus filhos na leitura

Depois de um post em inglês
e sobre livros em
inglês,
aqui vai a nossa lista ;)


Os escritores Alice Vieira, Ana Maria Magalhães, Luísa Fortes da Cunha e Álvaro Magalhães recomendam leituras que prometem agarrar as crianças da primeira à última página. As idades são indicativas, os títulos uma escolha subjectiva mas conhecedora. (i online)

A partir dos 4 anos


Versos de Fazer ó-ó
José Jorge Letria e André Letria
Editora: Terramar
Ano: 1999
Preço: €12,47
“Há uma fada azul marinho/ Com varinha de condão/ Que põe pós de magia/ Nos olhinhos do João/ Quando o sonho de mansinho/ Já o leva pela mão”. Este é apenas um dos mais de 20 poemas de embalar que encontrará nesta espécie de arma secreta para lidar com crianças enérgicas. Com tantas referências a “ó-ó”, “soninho”, “pestana” e por aí fora, o risco será adormecer também os graúdos. Venceu o Prémio Nacional de Ilustração.

Livro com Cheiro a..., Alice Vieira
Editora: Texto Editores
Ano: desde 2005
Preço: €12,99
Um cheira a caramelo, outro a morango, outro ainda a chocolate e há um quarto de baunilha. Cada um inclui vários contos, em que Alice Vieira brinca com as palavras, com a gramática e com a acentuação. Estes “livros com cheiro” são “um apelo aos sentidos”, diz Luísa Fortes da Cunha, que os recomenda para crianças de cinco, seis e sete anos. O próximo deverá ser um livro com cheiro a ananás.

A partir dos 6 anos

Canta o Galo Gordo
Inês Pupo e Gonçalo Pratas
Editora: Caminho
Ano: 2009
Preço: €12,90
Do primeiro dia de aulas a seguir ao Natal, passando pelo São Martinho, este título sugerido por uma das criadoras da série “Uma Aventura”, Ana Maria Magalhães, inclui poemas para todas as épocas do ano. “Pode ser lido com o professor, com os pais ou ouvido no carro”, diz. Isto, porque contém um CD com todos os textos. Indicado para crianças “no fim do infantário e no princípio da escolaridade”.

As Andanças do Senhor Fortes
António Mota
Editora: Gailivro
Ano: 2000
Preço: €9,45
“Comerciante de coisas finas, delicadas, que transportava na sua mala, o solitário senhor Fortes resolve deixar a cidade”, diz o livro. Parte para a aldeia, onde a amizade com um pastor os vai levar a uma “extraordinária aventura”. A obra é uma espécie de sucesso instantâneo entre os mais pequenos. “Já fiz a apresentação deste livro para miúdos do 2.º e do 3.º ano e eles adoraram”, garante Luísa Fortes da Cunha.

A partir dos 8 anos

As Aventuras de Joanica-Puff
A. A. Milne
Editora: Terramar
Ano: 1926
Preço: €6,28Não só “um clássico da literatura”, mas também “um dos melhores livros de sempre, que pode ser lido muitas vezes, como se fosse sempre a primeira”, diz Álvaro Magalhães. Desde 1926 já terão sido vendidos 70 milhões de exemplares. “Em tempos violentos e incertos, Puff, com a sua sabedoria desconcertante e terra-a-terra, representa a melancolia de um mundo simples e seguro, onde nada terrível pode acontecer.”

A História Interminável (check!)
Michael Ende
Editora: Presença
Ano: 1979
Preço: €20

Qualquer leitor “se fecha num qualquer lugar para poder ler este livro sem interrupções ou entraves, apenas desejando, a cada página que passa, que ele não acabe nunca e seja, como o título promete, interminável”, assegura Álvaro Magalhães. A história de um rapaz que, “depois de viver a mais extraordinária das aventuras, descobre que o real e o imaginário” são “metades de uma totalidade mágica.”

Colecção Teodora
Luísa Fortes da Cunha
Editora: Presença
Ano: desde 2002
Preço: €8
Diz a tradição popular que a sétima filha de um casal se transforma em fada aos 12 anos. Assim nasce a história da Fada Teodora, que vive grandes aventuras com os amigos. “Explora o filão criados pelos livros do Harry Potter mas com um toque diferente”, salienta Alice Vieira. Em pouco mais de sete anos, Fortes da Cunha criou e escreveu sete títulos daquela que já é uma das mais bem- -sucedidas colecções na área.

Colecção Os Primos
Mafalda Moutinho
Editora: Dom Quixote
Ano: desde 2007
Preço: €7,75
As crianças gostam de livros de aventuras, que as prendam do princípio ao fim. A título de exemplo, Luísa Fortes da Cunha sugere esta colecção com três personagens reais: as irmãs Ana e Maria Torres e o primo André. Como são filhas de um embaixador, as manas passam a vida a viajar. Muitas vezes convidam o primo e acabam em cenários tão sugestivos como o Egipto, a China ou a Jordânia, a resolver suculentos mistérios.

A partir dos 10 anos

A Ilha do Tesouro (check!)
R. L. Stevenson
Editora: Relógio D’Água
Ano: 1883
Preço: €12
“Agarra o leitor pelo pescoço logo na primeira frase e lança-o, sem remédio, na aventura da leitura”, elogia Álvaro Magalhães. “Quando lemos a prosa de Stevenson, esquecemo-nos de que estamos a ler, que é o melhor que pode acontecer.” Alice Vieira concorda e acrescenta: “Mete muito medo, mas não é como aquele medo artificial dos feiticeiros. As crianças precisam de o sentir. Depois passa e é um grande alívio.”

A Menina do Mar (check!)
Sophia de Mello Breyner Andresen
Editora: Figueirinhas
Ano: 1958
Preço: €8,5

Um clássico da literatura portuguesa. Se pudesse, Alice Vieira recomendaria todos os livros da poetisa. Tendo de escolher um, prefere “A Menina do Mar”, a história escrita há mais de 50 anos sobre a amizade impossível entre um rapaz e uma menina que vive no fundo do mar. “Tem uma riqueza linguística fora de série. Há poucos adjectivos. É tudo muito substantivo”, justifica a escritora. “É extraordinário.”

O Sonhador (check!)
Ian McEwan
Editora: Gradiva
Ano: 1994
Preço: €11,50
Muitos pensam que Peter Fortune é um rapaz estranho. Calado, calmo (demasiado calmo, pensarão os adultos), vive nas nuvens. Mas ele é o único que sabe “o que é estar dentro do corpo de um gato, como desmascarar o rufião da escola ou tornar toda a família invisível”, conta Álvaro Magalhães. Peter vive num mundo imaginário. O primeiro livro para crianças de McEwan mostra, diz, uma “imaginação meticulosa e vibrante”.

Coração
Edmundo De Amicis
Editora: Bertrand
Ano: 1886
Preço: €8,98
Lembra-se da série de animação que contava as dramáticas aventuras de Marco? O pequeno órfão que comoveu a geração de 70 nasceu num conto deste livro. Não é por isso que Alice Vieira, depois de o ter comprado para os filhos, continua a oferecê-lo, mas sim por causa da “crença na bondade e na solidariedade” transmitida por este diário de um rapaz de 10 anos escrito no final do século XIX.

A partir dos 12 anos

Alice no País das Maravilhas (check!)
Lewis Carroll
Ano: 1865
Editoras e preços: Relógio D’Água, €14; Dom Quixote, €4,99 Leya, €5,95; Civ. Editora, €7
A máxima aplica-se a este e a todos os outros clássicos para crianças: ler uma e outra vez, mas sempre o original. Mesmo que a “versão Disney” pareça mais fácil, o melhor é não menosprezar as crianças. “Regra geral, retiram aquilo de que os miúdos gostam: a loucura, o nonsense”, defende Alice Vieira. “Este livro tem uma coisa rara, transgride-se tudo: na linguagem, na imaginação. A escrita é de grande qualidade.”

A Ilha do Chifre de Ouro
Álvaro Magalhães
Editora: Edições ASA
Ano: 1998
Preço: €13
“Prende-nos logo à acção. A linguagem é acessível e remete-nos para a fantasia, para outros mundos. Os miúdos gostam”, assegura Luísa Fortes da Cunha, que recomenda as obras de Álvaro Magalhães, o criador da série Triângulo Jota, aos jovens do 7.º ao 9.º anos. Ponto de partida: um distribuidor de pizzas e uma ruiva misteriosa vão parar a uma ilha que não vem nos mapas. Do mesmo autor: “O Último Grimm”.

Clarissa
Érico Veríssimo
Editora: Ambar
Ano: 1933
Preço: €18
“A minha neta está a lê-lo agora”, conta Alice Vieira. “Eu li-o em criança. Em parte, determinou ter começado a escrever.” Talvez por isso tenha a fotografia do autor, o brasileiro Érico Veríssimo, na mesa de trabalho. “Clarissa” conta a história do despertar para a vida de uma rapariga de 13 anos. “Pode ler-se hoje. Tem a ver com sentimentos”, diz Vieira. Infelizmente, está esgotado e a Ambar ainda não sabe se vai reeditá-lo.

As Aventuras de Tom Sawyer (check!)
Mark Twain
Ano: 1876
Editoras e preços: Edições Nelson de Matos, €13; Europa-América, €6,90

Mais um caso de transgressão pura. As crianças adoram. Do ponto de vista literário, “As Aventuras de Huckleberry Finn”, também de Twain, será melhor, diz Alice Vieira, mas “As Aventuras de Tom Sawyer” vence aos pontos com os jovens. Esta obra intemporal narra as peripécias de um rapaz desobediente e aventureiro no Sul dos EUA, ao longo das margens do Mississípi.

Como, quando e porquê: as estratégias dos especialistas para pôr as crianças a ler

A leitura é importante para o desenvolvimento das crianças?
Sem dúvida. É um pilar essencial da aprendizagem ao longo de toda a vida. Se o aperfeiçoamento da “competência de leitura” cabe à escola, defende a psicóloga educacional Isabel Festas, a construção do “prazer da leitura” compete aos pais. “Na vida, têm mais sucesso os que lêem mais, por gosto ou com objectivos específicos”, assegura outra psicóloga educacional, Dulce Gonçalves. O psicólogo Eduardo Sá vai mais longe: “quem não lê não sabe pensar, nem interpretar aquilo que sente.”

A partir de que idade?
O mais cedo possível. “Uma das chaves do sucesso é a leitura antes da aprendizagem”, garante Isabel Festas. “A leitura feita pelo adulto.” No entanto, não vale a pena tentar pôr os miúdos a ler antes dos primeiros anos de escolaridade. “Existe uma epidemia atípica em Portugal”, comenta Eduardo Sá. “Os pais acham que as crianças devem ser todas sobredotadas.” No final do 2.º ano, avança Dulce Gonçalves, “devem ser capazes de ler cerca de 60 palavras por minuto”.

Como podem os pais motivá-las?
Primeiro, lendo-lhes histórias. “O importante para as crianças é verem o brilho nos olhos de quem conta”, diz Eduardo Sá. Ao mesmo tempo, é preciso deixá-las folhear, brincar com o livro. Quando já sabem ler, deve-se optar pela leitura partilhada. “Ora lês tu, ora leio eu”, diz Dulce Gonçalves. Pode fazer-se da leitura um jogo, antecipar o final. “E depois ler e confirmar quem adivinhou ou descobriu”, avança a psicóloga. Nos adolescentes, as regras são outras. “É preciso provocá-los, desafiá-los”, avança. Um exemplo: um livro proibido. Os próprios pais têm de dar o exemplo. “Na infância aprendemos quase tudo por observação.”

O que não devem os pais fazer?
“O pior é dar a leitura como óleo de fígado de bacalhau”, começa Eduardo Sá. Ou seja, confundir o prazer com uma tarefa escolar. Os pais “não devem ter a preocupação de avaliar o entendimento que a criança tem do que leu”, sublinha Isabel Festas. Nem, acrescenta o psicólogo, obrigar os filhos a ler obras que não lhes agradem só porque são referências literárias. Importante é perceberem os interesses dos filhos e a partir daí seleccionar as leituras.

Existem livros desaconselhados?
“Aqueles que pareçam repetitivos, obrigatórios, com os quais não sentimos afinidade ou empatia”, adianta Dulce Gonçalves. Isabel Festas acrescenta: versões simplificadas de clássicos. Ao tentarem facilitar a leitura retiram à obra as características literárias mais prazenteiras.

Onde posso ler mais sobre este tema?
“Como um Romance”, Daniel Pennac (Edições ASA) (and check!)


Nesta casa há aqueles assinalados com check!,
tal é a vaidade :)

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