quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Story in Pictures


Read all at The Guardian's gallery on Shaun Tan, the author









sábado, 9 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A história do design editorial no livro infantil é indissociável da história do Livro assim como do percurso traçado pela literatura infanto-juvenil

O design editorial projecta a forma e determina as características funcionais, estruturais e estéticas do Livro, materializando o seu conteúdo textual e/ou imagético.

Visando a melhoria da qualidade de uso do livro, o design editorial tem vindo a considerar um número cada vez maior de intervenientes nas decisões a tomar sobre um projecto, decorrente da multidisciplinaridade em que se move, ao mesmo tempo que procura a satisfação de um conjunto de objectivos cada vez mais alargado que é definido, hierárquica e cronologicamente, para cada um dos destinatários do seu produto: leitor, consumidor, vendedor, distribuidor, editor, autor (escritor e/ ou ilustrador), complexificando todo o processo de produção.

Recuando no tempo, podemos admitir que o design gráfico, em particular o editorial, sempre existiu desde que se construiu o primeiro livro. A História foi sempre encaminhada pelas inovações técnicas e tecnológicas, que permitiram prosperar a forma e a preservação dos volumes sempre com o objectivo da melhoria e aperfeiçoamento da utilização, manuseamento e produção do livro.

Quer se tratasse de redigir sobre argila, pedra, madeira ou papiro, a forma de apresentação do livro requereu sempre a projecção da sua utilização. O "Karthés" ou "Volumen" tratava-se de um cilindro de papiro, facilmente transportável, que era desenrolado à medida que era lido. Mais tarde, o Códex, que surge com os Gregos para a compilação das leis, é aperfeiçoado pelos Romanos, nos primeiros anos da Era Cristã, utilizando-se o pergaminho - excerto de couro bovino ou de outros animais - para a construção das páginas compiladas e mais facilmente unidas por costurado do que o papiro. O livro ganha então a forma rectangular que hoje conhecemos constituindo-se como um conjunto de páginas cosidas que suportam a informação a distribuir. Toda a produção é manual e apenas acessível às elites, políticas e religiosas, que os encomendam, e não se conhece a existência de livros infantis, expressa ou implicitamente dirigidos às crianças, desta época.

Aprovado e incentivado pela Igreja, que via o objecto como um veículo das suas teses e ideologias, ao livro acresce o valor do trabalho dos monges copistas, notoriamentea partir do século XIII, que reproduziam as obras carregadas de artísticas iluminuras e recursos gráficos que decoravam os textos. É com eles que se definem as primeiras regras no que diz respeito à mancha do texto em colunas, às margens e ao trabalho tipográfico de entreletra e entrelinhamento. A sua responsabilidade era a de copiar fielmente o design do original reproduzindo os arranjos estéticos que valorizavam as obras. A velocidade de produção era obviamente baixa e o custo por unidade elevado devido ao detalhado e moroso trabalho de reprodução. As crianças continuavam esquecidas embora algumas, por ingressarem nas instituições religiosas desde cedo, tivessem acesso ao livro.

No século XIV, com a gravação do conteúdo de cada página em blocos de madeira, mergulhados em tinta, o livro conhece a impressão em papel. A juntar-se ao avanço tecnológico da invenção de Johannes Guttenberg, os tipos móveis reutilizáveis aceleram a produção do livro em série reduzindo drasticamente o seu custo. A variedade tipográfica é muito limitada mas começa a ser desenvolvida no sentido de se garantir a legibilidade. O desenho das letras é simplificado para garantir a impressão de todos os detalhes dos grafemas e para facilitar a execução e a produção dos tipos.


Os "Hornbooks", gravados em folha de couro, com origem em Inglaterra no século XV, serviam os estudos das crianças. Eram conhecidos como "Crisscross", provavelmente como uma referência à cruz de Cristo pela semelhança formal. O texto compacto não deixava espaço para ilustrações pelo que estas se encontravam normalmente gravadas no verso.



Tudo, tudo, no blogue da Pós-Graduação em Livro Infantil

Oito frases para escrever uma obra-prima


Oito frases. Menos de 350 palavras. Pouco mais de 1750 caracteres distribuídos por 48 páginas. Para escrever aquela que é considerada uma das obras-primas da literatura para crianças, Maurice Sendak precisou de um terço do texto que leitor vê neste artigo.

O segredo de "Onde Vivem Os Monstros" - porque só podia haver um - está nas 18 ilustrações, e na musicalidade, e até na forma como o texto aparece arrumado na página. Afinal, este não é um romance ou um livro de banda-desenhada; é sim um dos mais bem conseguidos álbuns de sempre, um género em que todos estes elementos concorrem para contar uma história - sem redundâncias, sublinha a coordenadora da pós-graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, Dora Batalim.

"Ele tem um domínio perfeito do que o texto e a palavra dizem. Pode escrever pouco e dizer muitas mais coisas", reforça a professora. Depois, cada palavra tem um peso. "É uma espécie de peça musical. Curtíssima, mas com notas exactas."

Sendak terá escrito o livro para ser lido em voz alta. "Ouvi-lo em inglês é fabuloso", assegura. E até a forma como as palavras estão distribuídas pelas páginas ajuda à leitura. A viagem do protagonista Max até à terra das Coisas Selvagens conta-se numa única frase; a mancha gráfica estende-se por 10 páginas.

Ainda hoje, passados quase 50 anos do lançamento da obra, o autor recorda um confronto com os editores. Todos queriam que trocasse a palavra "quente" por "morno", referindo-se ao jantar de Max. Sendak fez finca-pé. "Morno não queima a língua. Há qualquer coisa de perigoso na palavra 'quente'", justificou à revista "Newsweek". "'Quente' são os sarilhos em que nos podemos meter. Eu ganhei."

Polémica Lançado na década de 60, "Onde Vivem os Monstros" foi uma obra revolucionária, mas também muito controversa. Chegou a ser banida de várias bibliotecas. Em 1969, o psicólogo Bruno Bettelheim exortou aos pais: mantenham os vossos filhos longe desse livro, é perigoso (mais tarde, reconheceria que nunca o lera).

Max grita com a mãe, a mãe manda-o para o quarto sem jantar. Inédito no mundo da edição, demasiado familiar para Sendak, que crescera em Brooklin numa família de imigrantes judeus polacos, com uma mãe atormentada por problemas psicológicos.

Até então, os livros eram uma forma de as crianças aprenderem regras sociais, explica Dora Batalim. "Sendak achou que serviam para mostrar aquilo que a criança sente, pensa e é, com todas as suas ambiguidades", explica. "Se não há livros de histórias a falar disto então não servem para nada porque não falam da vida real."

Sozinho no quarto, Max projecta a raiva num mundo de fantasia povoado por monstros - os tios maternos vindos da velha Polónia, que, com dentes podres e pêlos no nariz, queriam sempre um beijinho, explicaria o autor. Sozinho, resolve os seus conflitos e não deixa que a fúria tome conta dele - ou que os monstros o comam. E regressa a casa de uma viagem de um ano a tempo de jantar.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010