Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 25 de abril de 2022
segunda-feira, 17 de maio de 2021
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
quarta-feira, 22 de abril de 2020
sexta-feira, 31 de maio de 2019
quinta-feira, 30 de maio de 2019
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Ciência Viva para pessoas curiosas
Infografia de Alberto Faria para o Público
Uma viagem por Portugal pode ser feita de várias formas. Em livros, de carro, de comboio, pelas tradições ou com um GPS no telemóvel. E se tudo isto se juntasse? Pois, foi mesmo isto que a Rede de Centros de Ciência Viva ponderou. Daí saíram os Circuitos Ciência Viva – um projecto que conta com 18 circuitos, 54 percursos, 200 etapas e muitos desafios. A viagem pode ser feita com um guia em papel, uma aplicação no telemóvel e um cartão com descontos.
A ideia dos Circuitos Ciência Viva surgiu a partir da Rede de Centros Ciência Viva já instalada pelo país. “Muitas vezes, as pessoas não vêem esta rede como um todo porque apenas a conhecem dentro do seu espectro regional”, começa por dizer-nos Filipa Dias, coordenadora dos Circuitos de Ciência Viva.
A Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica foi criada em 1996, pelo então ministro da Ciência José Mariano Gago (1948-2016), para aproximar todas as pessoas do mundo da ciência. Uma agência só para a cultura científica é considerada por muitos como algo inovador, uma vez que muitos países não têm uma.
Depois, foram surgindo os Centros Ciência Viva pelo país. A ciência foi ter com as pessoas e, actualmente, existem Centros Ciência Viva num antigo mosteiro, numa aldeia mineira ou numa fábrica. Só em 2016 um pouco mais de 549 mil pessoas visitaram os Centros Ciência Viva em todo o país, segundo a agência Ciência Viva. O mais visitado foi o de Lisboa, o Pavilhão do Conhecimento, que teve 220 mil visitantes no ano passado.
Mas a agência Ciência Viva pretendia dar um novo incentivo à divulgação da ciência. E não queria apenas levar as pessoas a visitar os centros e a participar nas suas actividades. Algo mais teria de ser pensado. Por que não trabalhar com o que cada região dos centros tem para dar? “Desafiámos os centros Ciência Viva a olharem à sua volta e a seleccionarem pontos de interesses e instituições”, conta Filipa Dias. “Um projecto desta envergadura não se faz sozinho. É um projecto claramente construído em rede.”
Como tal, foi definido um conceito – o de “turismo de conhecimento”. Neste tipo de turismo, os centros seriam o ponto de partida, os “anfitriões”, como Filipa Dias os nomeia. As actividades de ciência, tecnologia e cultura dos centros estariam no centro das atenções, mas teria de existir interligações com os museus mais próximos, a geografia da região, as histórias dos seus habitantes e as tradições das localidades. “Quisemos de alguma forma formalizar a rede de centros com um conteúdo diferente. Uma das mais-valias deste projecto é que já tínhamos um conteúdo produzido”, explica a sua coordenadora.
Também Filipa Dias percorreu todos os 20 centros Ciência Viva existentes em Portugal continental (Bragança, Guimarães, Vila do Conde, dois no Porto, Aveiro, dois em Coimbra, Proença-a-Nova, Alviela, Constância, Sintra, dois em Lisboa, Estremoz, Lousal, Lagos, Faro, Tavira) e nos Açores. Juntamente com Filipa Dias, foi Leonel Alegre que viria a escrever os textos, e Vera Menino que seria a fotógrafa. Os três foram à descoberta do que havia em volta. Ao fim de um ano de viagens e perguntas (muitas perguntas), foi possível desenhar 18 circuitos (alguns centros juntaram-se, como os de Coimbra), cada um oferece três percursos, com uma dificuldade entre o fácil, o médio e o difícil. Nestes três percursos de cada circuito, um é para todo o dia, outro para a manhã e ainda um outro para a tarde.
Para isto, terá de se adquirir o kit dos Circuitos Ciência Viva no valor de 50 euros (que dá para toda a família, duas pessoas ou uma só) e que tem um guia com histórias dos centros, dos museus e das localidades onde os centros Ciência Viva se instalaram. Há também uma aplicação para o telemóvel com mapas, percursos e desafios. E um cartão com descontos em cerca de 100 instituições de ciência, cultura e lazer, como museus ou reservas naturais, assim como descontos em alojamento, alimentação e viagens. E, claro, entrada livre em todos os centros Ciência Viva. Este cartão tem a duração de um ano e depois terá de ser renovado. Até ao momento, o kit dos Circuitos de Ciência Viva pode ser comprado no site do projecto ou nos centros Ciência Viva. A aplicação já está disponível em inglês e, em breve, o guia também.
Filipa Dias não tem dúvidas: “Estes circuitos são para pessoas curiosas.” O que interessa é ter vontade de descobrir o local, seja em família, com o grupo de amigos ou até mesmo sozinho. “O ritmo com que a pessoa faz o percurso e a profundidade com que desenvolve o tema estão ao critério de cada um”, diz Filipa Dias. “Depois, tentamos chamar a atenção para o que é melhor, se for no Inverno dá para ver as camélias, ou se quiser ver as salinas mais vale ir na Primavera ou no Verão.”
“Nunca vai ser uma viagem igual”, avisa Filipa Dias. Além de cada pessoa poder escolher os seus percursos e visitar as exposições permanentes nos centros ou nos museus, no site há uma agenda com os eventos dos centros em todo o país. Mas ainda há um trunfo nestes circuitos: a ligação dos centros Ciência Viva com a comunidade. “A Ciência Viva tem uma grande tradição de ligação com as comunidades. Afinal, tudo tem uma ciência”, salienta Filipa Dias. A ciência do pescador em Tavira ou a do artesão do barro em Estremoz vão estar nestes percursos. Além disso, este projecto também quer diferenciar-se pela sua actualização: “Podemos criar sempre mais percursos, sendo que a própria Rede de centros Ciência Viva está em crescimento.”
Esse crescimento é confirmado por Rosalia Vargas, presidente da Agência Ciência Viva: “A rede é um projecto em crescimento e já estamos a trabalhar em novos centros de ciência.” Já se perspectiva a ampliação da rede para Braga, a Serra da Estrela e Peniche, assim como o alargamento do centro de Guimarães ou a reabertura do centro do Porto. “No momento em que temos uma rede de centros como esta, já podemos dizer que temos massa crítica suficiente para trabalhar a própria ideia de rede”, destaca.
No turismo do conhecimento que se pode fazer com estes circuitos, Rosalia Vargas afirma: “A ciência está à nossa volta e na Ciência Viva queremos democratizar o saber. É como quem vai à descoberta de tesouros”, salienta. Quer seja através do guia, da aplicação ou da indicação de um cientista num centro Ciência Viva, de um técnico de museu ou um habitante local, Rosalia Vargas tem uma certeza: “São muitos os tesouros nestes circuitos, sendo o maior deles o conhecimento que temos para partilhar.”
Uma viagem por Portugal pode ser feita de várias formas. Em livros, de carro, de comboio, pelas tradições ou com um GPS no telemóvel. E se tudo isto se juntasse? Pois, foi mesmo isto que a Rede de Centros de Ciência Viva ponderou. Daí saíram os Circuitos Ciência Viva – um projecto que conta com 18 circuitos, 54 percursos, 200 etapas e muitos desafios. A viagem pode ser feita com um guia em papel, uma aplicação no telemóvel e um cartão com descontos.
A ideia dos Circuitos Ciência Viva surgiu a partir da Rede de Centros Ciência Viva já instalada pelo país. “Muitas vezes, as pessoas não vêem esta rede como um todo porque apenas a conhecem dentro do seu espectro regional”, começa por dizer-nos Filipa Dias, coordenadora dos Circuitos de Ciência Viva.
A Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica foi criada em 1996, pelo então ministro da Ciência José Mariano Gago (1948-2016), para aproximar todas as pessoas do mundo da ciência. Uma agência só para a cultura científica é considerada por muitos como algo inovador, uma vez que muitos países não têm uma.
Depois, foram surgindo os Centros Ciência Viva pelo país. A ciência foi ter com as pessoas e, actualmente, existem Centros Ciência Viva num antigo mosteiro, numa aldeia mineira ou numa fábrica. Só em 2016 um pouco mais de 549 mil pessoas visitaram os Centros Ciência Viva em todo o país, segundo a agência Ciência Viva. O mais visitado foi o de Lisboa, o Pavilhão do Conhecimento, que teve 220 mil visitantes no ano passado.
Mas a agência Ciência Viva pretendia dar um novo incentivo à divulgação da ciência. E não queria apenas levar as pessoas a visitar os centros e a participar nas suas actividades. Algo mais teria de ser pensado. Por que não trabalhar com o que cada região dos centros tem para dar? “Desafiámos os centros Ciência Viva a olharem à sua volta e a seleccionarem pontos de interesses e instituições”, conta Filipa Dias. “Um projecto desta envergadura não se faz sozinho. É um projecto claramente construído em rede.”
Como tal, foi definido um conceito – o de “turismo de conhecimento”. Neste tipo de turismo, os centros seriam o ponto de partida, os “anfitriões”, como Filipa Dias os nomeia. As actividades de ciência, tecnologia e cultura dos centros estariam no centro das atenções, mas teria de existir interligações com os museus mais próximos, a geografia da região, as histórias dos seus habitantes e as tradições das localidades. “Quisemos de alguma forma formalizar a rede de centros com um conteúdo diferente. Uma das mais-valias deste projecto é que já tínhamos um conteúdo produzido”, explica a sua coordenadora.
Também Filipa Dias percorreu todos os 20 centros Ciência Viva existentes em Portugal continental (Bragança, Guimarães, Vila do Conde, dois no Porto, Aveiro, dois em Coimbra, Proença-a-Nova, Alviela, Constância, Sintra, dois em Lisboa, Estremoz, Lousal, Lagos, Faro, Tavira) e nos Açores. Juntamente com Filipa Dias, foi Leonel Alegre que viria a escrever os textos, e Vera Menino que seria a fotógrafa. Os três foram à descoberta do que havia em volta. Ao fim de um ano de viagens e perguntas (muitas perguntas), foi possível desenhar 18 circuitos (alguns centros juntaram-se, como os de Coimbra), cada um oferece três percursos, com uma dificuldade entre o fácil, o médio e o difícil. Nestes três percursos de cada circuito, um é para todo o dia, outro para a manhã e ainda um outro para a tarde.
Para isto, terá de se adquirir o kit dos Circuitos Ciência Viva no valor de 50 euros (que dá para toda a família, duas pessoas ou uma só) e que tem um guia com histórias dos centros, dos museus e das localidades onde os centros Ciência Viva se instalaram. Há também uma aplicação para o telemóvel com mapas, percursos e desafios. E um cartão com descontos em cerca de 100 instituições de ciência, cultura e lazer, como museus ou reservas naturais, assim como descontos em alojamento, alimentação e viagens. E, claro, entrada livre em todos os centros Ciência Viva. Este cartão tem a duração de um ano e depois terá de ser renovado. Até ao momento, o kit dos Circuitos de Ciência Viva pode ser comprado no site do projecto ou nos centros Ciência Viva. A aplicação já está disponível em inglês e, em breve, o guia também.
Filipa Dias não tem dúvidas: “Estes circuitos são para pessoas curiosas.” O que interessa é ter vontade de descobrir o local, seja em família, com o grupo de amigos ou até mesmo sozinho. “O ritmo com que a pessoa faz o percurso e a profundidade com que desenvolve o tema estão ao critério de cada um”, diz Filipa Dias. “Depois, tentamos chamar a atenção para o que é melhor, se for no Inverno dá para ver as camélias, ou se quiser ver as salinas mais vale ir na Primavera ou no Verão.”
“Nunca vai ser uma viagem igual”, avisa Filipa Dias. Além de cada pessoa poder escolher os seus percursos e visitar as exposições permanentes nos centros ou nos museus, no site há uma agenda com os eventos dos centros em todo o país. Mas ainda há um trunfo nestes circuitos: a ligação dos centros Ciência Viva com a comunidade. “A Ciência Viva tem uma grande tradição de ligação com as comunidades. Afinal, tudo tem uma ciência”, salienta Filipa Dias. A ciência do pescador em Tavira ou a do artesão do barro em Estremoz vão estar nestes percursos. Além disso, este projecto também quer diferenciar-se pela sua actualização: “Podemos criar sempre mais percursos, sendo que a própria Rede de centros Ciência Viva está em crescimento.”
Esse crescimento é confirmado por Rosalia Vargas, presidente da Agência Ciência Viva: “A rede é um projecto em crescimento e já estamos a trabalhar em novos centros de ciência.” Já se perspectiva a ampliação da rede para Braga, a Serra da Estrela e Peniche, assim como o alargamento do centro de Guimarães ou a reabertura do centro do Porto. “No momento em que temos uma rede de centros como esta, já podemos dizer que temos massa crítica suficiente para trabalhar a própria ideia de rede”, destaca.
No turismo do conhecimento que se pode fazer com estes circuitos, Rosalia Vargas afirma: “A ciência está à nossa volta e na Ciência Viva queremos democratizar o saber. É como quem vai à descoberta de tesouros”, salienta. Quer seja através do guia, da aplicação ou da indicação de um cientista num centro Ciência Viva, de um técnico de museu ou um habitante local, Rosalia Vargas tem uma certeza: “São muitos os tesouros nestes circuitos, sendo o maior deles o conhecimento que temos para partilhar.”
segunda-feira, 18 de julho de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
James Gurney's words on Torvosaurus gurneyi - Dinotopia!
Dinotopia! James Gurney's blog
Today a new dinosaur is being introduced to the world, and I'm thrilled
and honored that that the paleontologists decided to name it after me.
It's called Torvosaurus gurneyi.

The dinosaur, which was discovered in Portugal, is one of the largest carnivorous dinosaurs from the Jurassic and the largest land-predator discovered in Europe.
Lead author Christophe Hendrickx of the Universidade Nova de Lisboa and Museu of Lourinhã says, “With a skull of 115 cm, Torvosaurus gurneyi was...an active predator that hunted other large dinosaurs, as evidenced by blade shape teeth up to 10 cm.”

Mr. Hendrickx says he chose the name because of a childhood fascination with the book that I wrote and illustrated called Dinotopia: A Land Apart from Time.
When I introduced Dinotopia more than 22 years ago, I received many letters from young children who said they wanted to become artists or paleontologists. It gives me great pleasure to hear from some of them all these years later and to find out that they're doing for a living what they dreamed about as kids.
Dinotopia is a fantasy world, but it started with the science. Many dinosaur paleontologists, such as Michael Brett-Surman, Jack Horner, Phil Currie, and Ken Carpenter helped me to visualize the extinct animals that I painted in the book, and one of them even curated an exhibition of Dinotopia original artwork for natural history museum. What inspired me to write the book was the new dynamic vision of dinosaurs that emerged from the work of those very scientists.
Imagination is at the heart of all science, but it's especially at the core of paleontology. Paleontologists have a highly disciplined form of imagination, similar to that of a detective. I'm in awe of how they can pull together scraps of evidence and then—guided by patience and skepticism—build a complete vision of a world that we will never see.
Next time I return to doing paintings of Dinotopia, I look forward to visualizing Torvosaurus—perhaps with Mr. Hendrickx riding it.

The dinosaur, which was discovered in Portugal, is one of the largest carnivorous dinosaurs from the Jurassic and the largest land-predator discovered in Europe.
Lead author Christophe Hendrickx of the Universidade Nova de Lisboa and Museu of Lourinhã says, “With a skull of 115 cm, Torvosaurus gurneyi was...an active predator that hunted other large dinosaurs, as evidenced by blade shape teeth up to 10 cm.”

Mr. Hendrickx says he chose the name because of a childhood fascination with the book that I wrote and illustrated called Dinotopia: A Land Apart from Time.
When I introduced Dinotopia more than 22 years ago, I received many letters from young children who said they wanted to become artists or paleontologists. It gives me great pleasure to hear from some of them all these years later and to find out that they're doing for a living what they dreamed about as kids.
Dinotopia is a fantasy world, but it started with the science. Many dinosaur paleontologists, such as Michael Brett-Surman, Jack Horner, Phil Currie, and Ken Carpenter helped me to visualize the extinct animals that I painted in the book, and one of them even curated an exhibition of Dinotopia original artwork for natural history museum. What inspired me to write the book was the new dynamic vision of dinosaurs that emerged from the work of those very scientists.
Imagination is at the heart of all science, but it's especially at the core of paleontology. Paleontologists have a highly disciplined form of imagination, similar to that of a detective. I'm in awe of how they can pull together scraps of evidence and then—guided by patience and skepticism—build a complete vision of a world that we will never see.
Next time I return to doing paintings of Dinotopia, I look forward to visualizing Torvosaurus—perhaps with Mr. Hendrickx riding it.
Torvosaurus Gurneyi encontrado em Portugal
sábado, 1 de junho de 2013
Ó meu grandesíssimo dinossauro, mas tu és da Lourinhã?
Oito cientistas, cinco deles portugueses, anunciaram esta quinta-feira que descobriram na Lourinhã os ovos com embriões de dinossauros carnívoros mais antigos do mundo, com cerca de 150 milhões de anos, noticiou a agência Lusa. É a descoberta da década em Portugal em termos de paleontologia de dinossauros, considera a equipa.
Foi na praia de Porto das Barcas, na localidade de Atalaia, concelho da Lourinhã, que o holandês Aart Walen, voluntário do museu daquela vila, descobriu em 2005 os ovos com os embriões. O achado, segundo relata a equipa num artigo científico publicado hoje na revista Scientific Reports, é composto por cerca de 500 fragmentos de cascas de ovos, formando um conjunto com 65 centímetros de diâmetro, que continha ossos e dentes de embriões.
As cascas dos ovos e os embriões encontravam-se num estado de preservação “verdadeiramente excepcional”, segundo a equipa, que os estudou entre 2005 e 2009 utilizando diversas tecnologias de ponta.
Ricardo Araújo, um dos investigadores, sublinhou à Lusa a raridade dos achados. “Estes ovos têm 150 milhões de anos, por isso são de longe os mais antigos de dinossauros carnívoros”, explicou o paleontólogo português, que pertence ao Museu da Lourinhã e à Universidade Medodista do Sul, em Dallas, nos Estados Unidos.
Com 150 milhões de anos, existiam até agora os ovos com embriões de dinossauro encontrados na praia de Paimogo, também na Lourinhã, em 1993. A menos de dez quilómetros de distância do novo achado, esses ovos pertencem também a dinossauros carnívoros bípedes (terópodes): a equipa que os tem estudado considera que são do Lourinhanosaurus antunesi. Revelados ao mundo em 1997, os ovos de Paimogo estavam num ninho enorme, onde um grupo de fêmeas tinha posto mais de uma centena de ovos, e colocaram desde então a Lourinhã no mapa-múndi da paleontologia.
“Em conjunto com os ovos de Paimogo, [o novo achado] representa os embriões de dinossauros carnívoros mais antigos, sendo ambos do Jurássico Superior, com aproximadamente 150 milhões de anos”, acrescenta por sua vez ao PÚBLICO o paleontólogo Rui Castanhinha, do Instituto Gulbenkian de Ciências, em Oeiras, e do Museu da Lourinhã. “Nos últimos dez anos não se descobriu nada em Portugal em paleontologia de dinossauros tão importante como isto. Tem uma importância profunda na biologia, na reprodução, na embriologia de dinossauros. É a descoberta da década”, resume Rui Castanhinha. “Ovos com embriões é raríssimo.”
Ovos ainda antigos do que os da Lourinhã só os de dois dinossauros herbívoros, encontrados na África do Sul (do Massospondylus) e na China (Lufengosaurus), ambos com cerca de 190 milhões de anos.
“O registo fóssil tem apenas sete ou oito registos de ovos de dinossauro em todo o mundo e ainda são mais raros os casos de ovos com embriões”, referiu Ricardo Araújo, o primeiro autor do artigo, assinado ainda, além de Rui Castanhinha, por Rui Martins, Octávio Mateus, Luís Alves e pelo belga Christophe Hendricks, todos ligados ao Museu da Lourinhã, e pelos alemães Felix Beckman e Norbert Schell.
A equipa determinou que os achados pertencem a um torvosauro, um dinossauro carnívoro e bípede que tinha os dentes afiados e atingia dez metros de comprimento e duas toneladas. Pertencia a um grupo primitivo de terópodes, os megalossaurídeos, e é aqui que reside sobretudo a importância deste achado, ao preencher uma lacuna no conhecimento sobre as relações entre grupos distantes de dinossauros.
Em termos evolutivos, o torvosauro de Porto das Barcas encontra-se entre os dinossauros que puseram os ovos na África do Sul e na China, mais “primitivos”, e o de Paimogo, mais “evoluído” ou “derivado”. “Este novo achado vem preencher uma lacuna entre os dinossauros muito derivados [evoluídos] de Paimogo e os outros muito afastados da África do Sul e da China”, sublinha Rui Castanhinha. “Isto permite melhorar os conhecimentos sobre as origens dos dinossauros, em particular dos carnívoros, e de como eles chegaram à diversidade que vemos hoje – porque as aves são dinossauros.”
terça-feira, 4 de setembro de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
sábado, 2 de abril de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)




















