A Abelha Maia! O Piu-Piu! Os Aristogatos! O Marsupilami!
A Guerra das Estrelas! Kirikou e Igor e as Winx, dos mais recentes! Ai que se eu tivesse tempo até eu desatava a colorir :)

Porque nesta casa também se consultou os ditos PDFs...
Decorrem neste momento conversações e brainstorms sobre o meu grande projecto para 2009: o filho. Nomeadamente sobre o nome a dar ao espectacular petiz, o que nos levou recentemente, a mim e à Ana, a passar os olhos pela lista oficial de nomes que podem e não podem ser dados a crianças. A lista está disponível na net, com a chancela do Ministério da Justiça e da Direcção-Geral dos Registos e do Notariado, e deixou-me fascinado não só com os nomes que são admissíveis, como com os que não são admissíveis. E também com o critério que terá estado por trás da decisão de admitir um nome e não o outro.
Fico contente por saber que poderei chamar ao meu filho, sem que o Estado proteste, nomes como Abdénago, Baguandas, Baqui, Bruce, Dóriclo, Gamaliel, Gustavo São Romão (sim, estes três últimos a formar um único nome próprio - como em Gustavo São Romão Galvão Markl), Kó-Ló (sim, juro; na lista do Ministério da Justiça prevê-se a possibilidade de alguém chamar Kó-Ló a um filho), Manassés, Mimon, Mis, Odin, Principiano, Quéli, Ringo, Sadraque, Susano, Xenócrates, Zardilaque (este estou a considerar, pois pode assegurar-lhe uma carreira como Senhor do Mal).
Assim sendo, porquê colocar na lista negra dos não-admitidos nomes como Principelino? Não é mais provável encontrar um Principelino a andar por aí do que um sacana de um Zardilaque? Sobretudo permitindo-se a existência de Principianos. Curiosamente, quem decidir chamar Rai a um filho vai ter problemas, dado que a sigla da televisão italiana surge na lista dos admitidos e na dos não-admitidos. Nos não-admitidos encontra-se Rafaelo, o que me parece estranho a partir do momento em que se admite Susano. Mas pronto, está bem: Rafaelo já soa a teimosia dos pais, quando existe um Rafael, tão clássico e prático. É proibido chamar a um filho Adama (lamento muito, fãs da Galactica! Mas talvez possam chamar-lhe Apolo, embora haja menos possibilidades de lhe chamarem Starbuck), Candinho (quem terá tentado chamar isto a um filho, por Deus?), Carícia (embora talvez funcione como nome artístico para pornografia), Ivanhoé, Mady (como assim? Então e o imortal parceiro de Sérgio Wonder?), Nando (chamem-lhe Fernando, por favor, dêem a volta maior), Tonicha (compreende-se: as Tonichas são como os Highlanders - there can be only one!), Vickie, Viking (que pena... Vickie Viking Galvão Markl soa nostalgicamente belo), Ziggi (mas não Ziggy, como o Stardust! Deixam-me chamar Ziggy ao puto ou não?) e Zuzidine (já há Zardilaque e já é um pau).
A prioridade é arranjar um nome para o puto o menos passível dele levar bordoada na escola. Nada de Fredericos, portanto, que eu bem sei aquilo por que passava, sobretudo a partir do momento em que comecei a usar óculos. O combo Frederico-óculos é bem lixado. Eu acho que fiquei míope por me chamar Frederico. Uma pessoa chama Frederico a um filho e é certinho que, cedo, ele começará a ter problemas de vista.
Há Vida em Markl






| Discurso do urso Julio Cortázar Emilio Urberuaga Tradução: Elisabete Ramos |
«No Verão, à noite, nado no depósito picotado de estrelas. Lavo a cara com uma mão, depois com a outra, depois com as duas juntas, e isso dá-me uma enorme alegria.»
Um urso que habita as tubagens de um edifício vai descobrindo a estranha e solitária vida dos seres humanos. Trata-se de uma estória espantosa, fiel expoente da literatura de Julio Cortázar, que incluiu este conto no seu livro Historias de cronopios y de famas, considerado pelo autor argentino Alberto Cousté “uma espécie de ética, disfarçada pelo humor e protegida da solenidade pela ternura”.
Cortázar reúne nesta obra uma sucessão de situações descabidas, retalhos do seu humor surrealista que deitam por terra o racionalismo trivial e mecanizado, com que expressa a sua rebeldia contra os objectos e pessoas que constituem a nossa vida quotidiana e a nossa maneira mecânica de nos relacionarmos com ela.
A palavra “cronópio” surgiu pela primeira vez em 1952, por ocasião da crónica sobre um concerto a que Cortázar assistiu em Paris em homenagem a Igor Stranvinsky. Enquanto o público saía no entreacto, o escritor permaneceu no teatro, onde sentiu a sensação de que “havia no ar personagens inexplicáveis, uma espécie de balões verdes, muito cómicos, muito divertidos e muito amigos, que andavam por aí a circular”.
Deu-lhes esse nome e disse acerca dos cronópios que “são um pouco a conduta do poeta, do associal, do homem que vive um pouco à margem das coisas”, por contraposição ao conceito de “famas”, que atribuiu a “grandes gerentes de bancos, presidentes da República, pessoas sérias que defendem a ordem”.