Notícias Sábado, 6 de fevereiro - 2 anos depois do nascimento do Lucas
sábado, 27 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Vamos Plantar uma Árvore
PORQUÊ:
* Milhares de hectares ardem anualmente em Portugal, é imperativo reflorestar
* + Floresta = Redução de Carbono;
* + Floresta = Incremento Biodiversidade;
* Reflorestar = Benefícios para todos;
* Plantar Árvores = Oportunidade de proximidade (Amigos + Familía + Colegas + Vizinhos);
* Participação = propôr + fazer = Mudar o mundo;
* Sustentabilidade = Pequenas Acções x Muitas Pessoas = Grande Mudança;
* É através do exemplo que melhor transmitimos valores aos nossos filhos;
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
What Babies Know and We Don't
The most elusive period of our lives occurs from birth to about the age of five. Mysterious and otherworldly, infancy and early childhood are surrounded later in life by a curious amnesia, broken by flashes of memory that come upon us unbidden, for the most part, with no coherent or reliable context. With their sensorial, almost cellular evocations, these memories seem to reside more in the body than the mind; yet they are central to our sense of who we are to ourselves.
Part of the appeal of psychoanalysis may be that, in its quest to locate the faded child in the adult, it turns the adult into a kind of child at a play date with his analyst. The date is structured along the lines of imaginary play, complete with free association and open-ended conversation that can wind up anywhere; but like imaginary play, the date with the analyst follows a series of strict rules. The aim is to articulate what has been repressed, to fill in a blank in the narrative about ourselves. But as Alison Gopnik and her fellow cognitive psychologists have discovered, those years are so difficult to recapture not because of repression but because the states of consciousness and memory in early childhood are so different from those we experience later on.
"Children and adults are different forms of Homo sapiens," writes Gopnik in The Philosophical Baby, a tour through the recent findings of cognitive science about the minds of young children. For one thing, the prefrontal lobe, which has a major part in blocking out stimuli from other parts of the brain and fostering internally driven attention, is undeveloped in young children, and doesn't fully form in most people until they are in their twenties. Internally driven attention, cognitive research suggests, isn't a capacity that children fully acquire until at least the age of five. What arouses them is what is in front of their eyes, the first burst of information about cause and effect in the physical world.
More from the NY Review of Books
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Segundo Aniversário do Daniel Lucas
Obrigada a todos os tios e amiguinhos que apareceram, foi um dia muito feliz para o chicha ,)
O Bolo:
Prendinhas!
O Bolo:
Prendinhas!
E muita roupinha boa que há-de ficar em fotografias do chicha para a posteridade ;)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A história do design editorial no livro infantil é indissociável da história do Livro assim como do percurso traçado pela literatura infanto-juvenil
O design editorial projecta a forma e determina as características funcionais, estruturais e estéticas do Livro, materializando o seu conteúdo textual e/ou imagético.
Visando a melhoria da qualidade de uso do livro, o design editorial tem vindo a considerar um número cada vez maior de intervenientes nas decisões a tomar sobre um projecto, decorrente da multidisciplinaridade em que se move, ao mesmo tempo que procura a satisfação de um conjunto de objectivos cada vez mais alargado que é definido, hierárquica e cronologicamente, para cada um dos destinatários do seu produto: leitor, consumidor, vendedor, distribuidor, editor, autor (escritor e/ ou ilustrador), complexificando todo o processo de produção.
Recuando no tempo, podemos admitir que o design gráfico, em particular o editorial, sempre existiu desde que se construiu o primeiro livro. A História foi sempre encaminhada pelas inovações técnicas e tecnológicas, que permitiram prosperar a forma e a preservação dos volumes sempre com o objectivo da melhoria e aperfeiçoamento da utilização, manuseamento e produção do livro.
Quer se tratasse de redigir sobre argila, pedra, madeira ou papiro, a forma de apresentação do livro requereu sempre a projecção da sua utilização. O "Karthés" ou "Volumen" tratava-se de um cilindro de papiro, facilmente transportável, que era desenrolado à medida que era lido. Mais tarde, o Códex, que surge com os Gregos para a compilação das leis, é aperfeiçoado pelos Romanos, nos primeiros anos da Era Cristã, utilizando-se o pergaminho - excerto de couro bovino ou de outros animais - para a construção das páginas compiladas e mais facilmente unidas por costurado do que o papiro. O livro ganha então a forma rectangular que hoje conhecemos constituindo-se como um conjunto de páginas cosidas que suportam a informação a distribuir. Toda a produção é manual e apenas acessível às elites, políticas e religiosas, que os encomendam, e não se conhece a existência de livros infantis, expressa ou implicitamente dirigidos às crianças, desta época.
Aprovado e incentivado pela Igreja, que via o objecto como um veículo das suas teses e ideologias, ao livro acresce o valor do trabalho dos monges copistas, notoriamentea partir do século XIII, que reproduziam as obras carregadas de artísticas iluminuras e recursos gráficos que decoravam os textos. É com eles que se definem as primeiras regras no que diz respeito à mancha do texto em colunas, às margens e ao trabalho tipográfico de entreletra e entrelinhamento. A sua responsabilidade era a de copiar fielmente o design do original reproduzindo os arranjos estéticos que valorizavam as obras. A velocidade de produção era obviamente baixa e o custo por unidade elevado devido ao detalhado e moroso trabalho de reprodução. As crianças continuavam esquecidas embora algumas, por ingressarem nas instituições religiosas desde cedo, tivessem acesso ao livro.
No século XIV, com a gravação do conteúdo de cada página em blocos de madeira, mergulhados em tinta, o livro conhece a impressão em papel. A juntar-se ao avanço tecnológico da invenção de Johannes Guttenberg, os tipos móveis reutilizáveis aceleram a produção do livro em série reduzindo drasticamente o seu custo. A variedade tipográfica é muito limitada mas começa a ser desenvolvida no sentido de se garantir a legibilidade. O desenho das letras é simplificado para garantir a impressão de todos os detalhes dos grafemas e para facilitar a execução e a produção dos tipos.
Os "Hornbooks", gravados em folha de couro, com origem em Inglaterra no século XV, serviam os estudos das crianças. Eram conhecidos como "Crisscross", provavelmente como uma referência à cruz de Cristo pela semelhança formal. O texto compacto não deixava espaço para ilustrações pelo que estas se encontravam normalmente gravadas no verso.
Tudo, tudo, no blogue da Pós-Graduação em Livro Infantil
Oito frases para escrever uma obra-prima
Oito frases. Menos de 350 palavras. Pouco mais de 1750 caracteres distribuídos por 48 páginas. Para escrever aquela que é considerada uma das obras-primas da literatura para crianças, Maurice Sendak precisou de um terço do texto que leitor vê neste artigo.
O segredo de "Onde Vivem Os Monstros" - porque só podia haver um - está nas 18 ilustrações, e na musicalidade, e até na forma como o texto aparece arrumado na página. Afinal, este não é um romance ou um livro de banda-desenhada; é sim um dos mais bem conseguidos álbuns de sempre, um género em que todos estes elementos concorrem para contar uma história - sem redundâncias, sublinha a coordenadora da pós-graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, Dora Batalim.
"Ele tem um domínio perfeito do que o texto e a palavra dizem. Pode escrever pouco e dizer muitas mais coisas", reforça a professora. Depois, cada palavra tem um peso. "É uma espécie de peça musical. Curtíssima, mas com notas exactas."
Sendak terá escrito o livro para ser lido em voz alta. "Ouvi-lo em inglês é fabuloso", assegura. E até a forma como as palavras estão distribuídas pelas páginas ajuda à leitura. A viagem do protagonista Max até à terra das Coisas Selvagens conta-se numa única frase; a mancha gráfica estende-se por 10 páginas.
Ainda hoje, passados quase 50 anos do lançamento da obra, o autor recorda um confronto com os editores. Todos queriam que trocasse a palavra "quente" por "morno", referindo-se ao jantar de Max. Sendak fez finca-pé. "Morno não queima a língua. Há qualquer coisa de perigoso na palavra 'quente'", justificou à revista "Newsweek". "'Quente' são os sarilhos em que nos podemos meter. Eu ganhei."
Polémica Lançado na década de 60, "Onde Vivem os Monstros" foi uma obra revolucionária, mas também muito controversa. Chegou a ser banida de várias bibliotecas. Em 1969, o psicólogo Bruno Bettelheim exortou aos pais: mantenham os vossos filhos longe desse livro, é perigoso (mais tarde, reconheceria que nunca o lera).
Max grita com a mãe, a mãe manda-o para o quarto sem jantar. Inédito no mundo da edição, demasiado familiar para Sendak, que crescera em Brooklin numa família de imigrantes judeus polacos, com uma mãe atormentada por problemas psicológicos.
Até então, os livros eram uma forma de as crianças aprenderem regras sociais, explica Dora Batalim. "Sendak achou que serviam para mostrar aquilo que a criança sente, pensa e é, com todas as suas ambiguidades", explica. "Se não há livros de histórias a falar disto então não servem para nada porque não falam da vida real."
Sozinho no quarto, Max projecta a raiva num mundo de fantasia povoado por monstros - os tios maternos vindos da velha Polónia, que, com dentes podres e pêlos no nariz, queriam sempre um beijinho, explicaria o autor. Sozinho, resolve os seus conflitos e não deixa que a fúria tome conta dele - ou que os monstros o comam. E regressa a casa de uma viagem de um ano a tempo de jantar.
O segredo de "Onde Vivem Os Monstros" - porque só podia haver um - está nas 18 ilustrações, e na musicalidade, e até na forma como o texto aparece arrumado na página. Afinal, este não é um romance ou um livro de banda-desenhada; é sim um dos mais bem conseguidos álbuns de sempre, um género em que todos estes elementos concorrem para contar uma história - sem redundâncias, sublinha a coordenadora da pós-graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, Dora Batalim.
"Ele tem um domínio perfeito do que o texto e a palavra dizem. Pode escrever pouco e dizer muitas mais coisas", reforça a professora. Depois, cada palavra tem um peso. "É uma espécie de peça musical. Curtíssima, mas com notas exactas."
Sendak terá escrito o livro para ser lido em voz alta. "Ouvi-lo em inglês é fabuloso", assegura. E até a forma como as palavras estão distribuídas pelas páginas ajuda à leitura. A viagem do protagonista Max até à terra das Coisas Selvagens conta-se numa única frase; a mancha gráfica estende-se por 10 páginas.
Ainda hoje, passados quase 50 anos do lançamento da obra, o autor recorda um confronto com os editores. Todos queriam que trocasse a palavra "quente" por "morno", referindo-se ao jantar de Max. Sendak fez finca-pé. "Morno não queima a língua. Há qualquer coisa de perigoso na palavra 'quente'", justificou à revista "Newsweek". "'Quente' são os sarilhos em que nos podemos meter. Eu ganhei."
Polémica Lançado na década de 60, "Onde Vivem os Monstros" foi uma obra revolucionária, mas também muito controversa. Chegou a ser banida de várias bibliotecas. Em 1969, o psicólogo Bruno Bettelheim exortou aos pais: mantenham os vossos filhos longe desse livro, é perigoso (mais tarde, reconheceria que nunca o lera).
Max grita com a mãe, a mãe manda-o para o quarto sem jantar. Inédito no mundo da edição, demasiado familiar para Sendak, que crescera em Brooklin numa família de imigrantes judeus polacos, com uma mãe atormentada por problemas psicológicos.
Até então, os livros eram uma forma de as crianças aprenderem regras sociais, explica Dora Batalim. "Sendak achou que serviam para mostrar aquilo que a criança sente, pensa e é, com todas as suas ambiguidades", explica. "Se não há livros de histórias a falar disto então não servem para nada porque não falam da vida real."
Sozinho no quarto, Max projecta a raiva num mundo de fantasia povoado por monstros - os tios maternos vindos da velha Polónia, que, com dentes podres e pêlos no nariz, queriam sempre um beijinho, explicaria o autor. Sozinho, resolve os seus conflitos e não deixa que a fúria tome conta dele - ou que os monstros o comam. E regressa a casa de uma viagem de um ano a tempo de jantar.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
As mãos também lêem
À mesa, diz-se que os olhos também comem. Para Robert Sabuda, um dos mais conhecidos autores de pop-up books do mundo, essa máxima inverte-se numa troca anatómico-oftalmológica: "As mãos também lêem."
Os livros de Robert, adaptações de clássicos como "Alice no País das Maravilhas" e "Peter Pan", ou livros pedagógicos como a colecção "Enciclopédia Pré-Histórica", apelam à criança que há dentro de cada um de nós e à criança que há dentro de cada criança. São livros com vários livros (e animais, heróis e vilões) lá dentro, obras de arte feitas à mão, peças de artesanato que demoram um ano a serem produzidas. A Robert Sabuda junta-se frequentemente outro artista do papel, Matthew Reinhart. Ambos são frequentemente interpelados com uma pergunta: "Como é que isso é possível?"
"É magia sem electricidade", lembra Reinhart, "quando alguém vira uma página dos nossos livros e se interroga como aquilo foi feito está a ter a mesma reacção de quando vê um truque de ilusionismo". O segredo aqui é simples: papel, tesoura e cola. Isso e um par (às vezes mais) de mãos muito talentosas.
Nos livros pop-up não há trabalho de máquinas ou computadores durante a maior parte do processo. Toda a montagem é feita à mão, o que justifica tanto o preço elevado (nunca menos de 30 euros) como a escassez de títulos neste formato.
Trabalhos manuais
Engenharia do papel é o nome de um mestrado da Universidade da Beira Interior. A descrição do site da faculdade é encorajadora: "A formação multidisciplinar fornece as competências para a concepção e desenvolvimento de novos produtos e processos, bem como para a condução e optimização de processos de transformação existentes." Fascinante. Mas, verdade seja dita, nem toda a gente gosta de passar o resto da vida a optimizar processos de transformação existentes. Não é isso, pelo menos, que faz Andrew Baron um dos engenheiros de papel por trás de mais de uma dezena de livros pop-up - e aqui a expressão "engenheiro do papel" é usada segundo a designação americana de quem conta histórias com dobragens e colagens.
"Sou responsável pelo pop, na expressão pop-up", resume. É Andrew quem constrói os sistemas de alavancas, aparentemente simples, que dão vida ao livros. "Tenho de olhar para as ilustrações e ver o que posso movimentar ali e como", explica ao i por e-mail. Tem um emprego raro - "como eu devem haver uns 12 no mundo" - mas gaba-se que não lhe falta trabalho. Ocupação que tem duas grandes recompensas: "A reacção de miúdos e graúdos", em primeiro lugar, "e a oportunidade de trabalhar numa das últimas indústrias no mundo em que o trabalho é 100% manual".
Livros como "Alice no País das Maravilhas" interpretados por Robert Sabuda voam das prateleiras das livrarias sempre que se aproxima o Natal. Numa altura em que se fala tanto de suportes digitais de leitura (como o Kindle ou o Sony Reader) e se questiona o futuro dos livros em papel, que lugar têm estes estranhos objectos - uma mistura de literatura com banda desenhada, escultura, cenografia, origami e arquitectura?
"Ter um livro destes nas mãos é um prazer enorme, sem comparação no mundo digital", assinala Matthew Reinhart. "São objectos de colecção, peças únicas de trabalhos manuais", aponta Robert Sabuda.
Pilhagem ao economato
"A minha mãe era secretária na Ford Motor Company, no Michigan, e levava para casa material de escritório. Comecei a fazer recortes de papel porque não tinha muitos brinquedos", recorda Sabuda. Motivado pela professora primária, foi estudar para uma escola de artes, o Pratts Institute, em Nova Iorque.
Anos mais tarde, como ilustrador, começou por ganhar dinheiro a desenhar para livros de colorir infantis - o grau zero da carreira de um contador de histórias. Só depois do primeiro livro para crianças, no final dos anos 80, a vida profissional de Robert Sabuda entrou em modo bola-de-neve. Mas o seu verdadeiro interesse (ou vocação), os livros com animações tridimensionais, começou anos mais tarde, com a publicação do aclamado "Tutankhamen's Gift", em 1994.
Legado
Mas este texto não estaria a ser escrito agora se não fosse Vojtech Kubasta. Foram os livros deste arquitecto checo que fizeram Sabuda começar a fazer ilustrações 3D. E foram os seus castelos e cavaleiros a saltar das páginas que fizeram Waldo Hunt, a meio do século passado, salvar os pop-up books do esquecimento.
Na história dos pop-up books há um AW, DW (antes de Waldo, depois de Waldo). Antes deste publicitário pegar nestes livros-brinquedo esquecidos, os pop up eram velharias à venda em lojas de curiosidades. Uma arte perdida por ser muito trabalhosa e pouco rentável, conheceu nas mãos de Waldo uma segunda vida. Criou a editora Intervisual Books depois de encontrar livros de Kubasta numa velha livraria e dinamizou a produção e distribuição destes livros raros - que surgiram na idade média e conheceram o seu auge na época vitoriana, altura em que contavam histórias de fadas e dragões em edições luxuosas e personalizadas.
O coração de Waldo Hunt deixou de bater a 26 de Novembro deste ano, mas o seu legado sobrevive no trabalho de homens como Robert Sabuda. Depois da sua morte, o autor disse que antes de Waldo os livros para crianças eram "uma espécie de enteado das editoras" e os pop-up eram "filhos desses enteados". E hoje? "São objectos que os pais compram para eles próprios com a justificação de que é para oferecer aos filhos."
Os livros de Robert, adaptações de clássicos como "Alice no País das Maravilhas" e "Peter Pan", ou livros pedagógicos como a colecção "Enciclopédia Pré-Histórica", apelam à criança que há dentro de cada um de nós e à criança que há dentro de cada criança. São livros com vários livros (e animais, heróis e vilões) lá dentro, obras de arte feitas à mão, peças de artesanato que demoram um ano a serem produzidas. A Robert Sabuda junta-se frequentemente outro artista do papel, Matthew Reinhart. Ambos são frequentemente interpelados com uma pergunta: "Como é que isso é possível?"
"É magia sem electricidade", lembra Reinhart, "quando alguém vira uma página dos nossos livros e se interroga como aquilo foi feito está a ter a mesma reacção de quando vê um truque de ilusionismo". O segredo aqui é simples: papel, tesoura e cola. Isso e um par (às vezes mais) de mãos muito talentosas.
Nos livros pop-up não há trabalho de máquinas ou computadores durante a maior parte do processo. Toda a montagem é feita à mão, o que justifica tanto o preço elevado (nunca menos de 30 euros) como a escassez de títulos neste formato.
Trabalhos manuais
Engenharia do papel é o nome de um mestrado da Universidade da Beira Interior. A descrição do site da faculdade é encorajadora: "A formação multidisciplinar fornece as competências para a concepção e desenvolvimento de novos produtos e processos, bem como para a condução e optimização de processos de transformação existentes." Fascinante. Mas, verdade seja dita, nem toda a gente gosta de passar o resto da vida a optimizar processos de transformação existentes. Não é isso, pelo menos, que faz Andrew Baron um dos engenheiros de papel por trás de mais de uma dezena de livros pop-up - e aqui a expressão "engenheiro do papel" é usada segundo a designação americana de quem conta histórias com dobragens e colagens.
"Sou responsável pelo pop, na expressão pop-up", resume. É Andrew quem constrói os sistemas de alavancas, aparentemente simples, que dão vida ao livros. "Tenho de olhar para as ilustrações e ver o que posso movimentar ali e como", explica ao i por e-mail. Tem um emprego raro - "como eu devem haver uns 12 no mundo" - mas gaba-se que não lhe falta trabalho. Ocupação que tem duas grandes recompensas: "A reacção de miúdos e graúdos", em primeiro lugar, "e a oportunidade de trabalhar numa das últimas indústrias no mundo em que o trabalho é 100% manual".
Livros como "Alice no País das Maravilhas" interpretados por Robert Sabuda voam das prateleiras das livrarias sempre que se aproxima o Natal. Numa altura em que se fala tanto de suportes digitais de leitura (como o Kindle ou o Sony Reader) e se questiona o futuro dos livros em papel, que lugar têm estes estranhos objectos - uma mistura de literatura com banda desenhada, escultura, cenografia, origami e arquitectura?
"Ter um livro destes nas mãos é um prazer enorme, sem comparação no mundo digital", assinala Matthew Reinhart. "São objectos de colecção, peças únicas de trabalhos manuais", aponta Robert Sabuda.
Pilhagem ao economato
"A minha mãe era secretária na Ford Motor Company, no Michigan, e levava para casa material de escritório. Comecei a fazer recortes de papel porque não tinha muitos brinquedos", recorda Sabuda. Motivado pela professora primária, foi estudar para uma escola de artes, o Pratts Institute, em Nova Iorque.
Anos mais tarde, como ilustrador, começou por ganhar dinheiro a desenhar para livros de colorir infantis - o grau zero da carreira de um contador de histórias. Só depois do primeiro livro para crianças, no final dos anos 80, a vida profissional de Robert Sabuda entrou em modo bola-de-neve. Mas o seu verdadeiro interesse (ou vocação), os livros com animações tridimensionais, começou anos mais tarde, com a publicação do aclamado "Tutankhamen's Gift", em 1994.
Legado
Mas este texto não estaria a ser escrito agora se não fosse Vojtech Kubasta. Foram os livros deste arquitecto checo que fizeram Sabuda começar a fazer ilustrações 3D. E foram os seus castelos e cavaleiros a saltar das páginas que fizeram Waldo Hunt, a meio do século passado, salvar os pop-up books do esquecimento.
Na história dos pop-up books há um AW, DW (antes de Waldo, depois de Waldo). Antes deste publicitário pegar nestes livros-brinquedo esquecidos, os pop up eram velharias à venda em lojas de curiosidades. Uma arte perdida por ser muito trabalhosa e pouco rentável, conheceu nas mãos de Waldo uma segunda vida. Criou a editora Intervisual Books depois de encontrar livros de Kubasta numa velha livraria e dinamizou a produção e distribuição destes livros raros - que surgiram na idade média e conheceram o seu auge na época vitoriana, altura em que contavam histórias de fadas e dragões em edições luxuosas e personalizadas.
O coração de Waldo Hunt deixou de bater a 26 de Novembro deste ano, mas o seu legado sobrevive no trabalho de homens como Robert Sabuda. Depois da sua morte, o autor disse que antes de Waldo os livros para crianças eram "uma espécie de enteado das editoras" e os pop-up eram "filhos desses enteados". E hoje? "São objectos que os pais compram para eles próprios com a justificação de que é para oferecer aos filhos."
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A nossa árvore de Natal e o nosso presépio!
Árvore decorada com enfeites especiais feitos pela Crafty Mood, o que resultou num misto de sagrado e profano ;), Presépio onde um dos Reis Magos já perdeu a cabeça, mas os mémés foram um sucesso junto do chicha ;)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
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